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DRE para restaurante: passo a passo simples para 2026

Como montar, ler e usar o DRE de um restaurante para tomar decisão de preço, custo e operação. Inclui exemplo numérico real, erros comuns e como automatizar o processo.

Publicado em 27 de abril de 2026Leitura: 8 minutos

DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é o relatório financeiro que diz, em ordem de cima para baixo, quanto seu restaurante vendeu, quanto gastou e quanto sobrou de lucro real no período. É a diferença entre saber se a operação dá lucro de verdade ou se o caixa só está cheio porque o aluguel ainda não venceu. Em 2026, com margem média do setor entre 8% e 12% no Brasil, não fazer DRE é dirigir de olho fechado em estrada de pista única. Este guia mostra como montar um DRE simples, ler corretamente cada linha e parar de fazer fechamento de mês na planilha às 23h da noite.

Por que DRE é diferente do extrato bancário?

O extrato mostra dinheiro entrando e saindo. O DRE mostra resultado contábil — ou seja, considera vendas e despesas no mês em que aconteceram, independente de quando o dinheiro circulou. Exemplo prático:

  • Você vende um prato no dia 30, mas o cliente pagou no cartão e o dinheiro só cai no dia 32. No DRE, essa venda entra em outubro. No fluxo de caixa, em novembro.
  • Você compra carne no dia 5 com prazo de 30 dias. No DRE, o custo é registrado em outubro (quando a carne foi consumida). No fluxo, em novembro (quando você paga).

Restaurante que olha só extrato pensa que está bem porque tem caixa — mas pode estar se afundando em compromissos que vencem nos próximos 30 dias. DRE corrige isso.

Qual a estrutura de um DRE de restaurante?

A estrutura padrão segue 10 linhas, em ordem:

  1. Receita bruta — soma de tudo que foi vendido no período.
  2. (–) Deduções — impostos sobre venda (Simples, ISS, ICMS conforme regime), comissões de marketplace (iFood, Rappi), devoluções.
  3. (=) Receita líquida — o que efetivamente entrou para a operação.
  4. (–) CMV — custo de insumos consumidos nos pratos vendidos.
  5. (=) Lucro bruto — quanto sobrou depois de pagar os ingredientes.
  6. (–) Despesas operacionais — folha, aluguel, energia, gás, embalagem, marketing, software, contador, manutenção.
  7. (=) EBITDA — lucro antes de juros, impostos sobre lucro, depreciação e amortização.
  8. (–) Depreciação — desgaste de equipamentos (forno, fogão, freezer).
  9. (±) Resultado financeiro — juros pagos em empréstimo, rendimento de aplicação.
  10. (=) Lucro líquido — o que efetivamente sobrou no fim.

Como fica um DRE real de restaurante? (Exemplo numérico)

Restaurante hipotético, mês fechado, faturamento R$ 100.000:

LinhaValor (R$)% sobre receita
Receita bruta100.000100,0%
(–) Impostos sobre venda(7.000)7,0%
(–) Comissão iFood/Rappi(11.500)11,5%
(=) Receita líquida81.50081,5%
(–) CMV (insumos)(33.000)33,0%
(=) Lucro bruto48.50048,5%
(–) Folha de pagamento(20.000)20,0%
(–) Aluguel(8.000)8,0%
(–) Energia, gás, água(3.500)3,5%
(–) Embalagem, descartáveis(2.500)2,5%
(–) Marketing, software, contador(2.000)2,0%
(–) Manutenção, outros(1.500)1,5%
(=) EBITDA11.00011,0%
(–) Depreciação(1.500)1,5%
(–) Juros de financiamento(500)0,5%
(=) Lucro líquido9.0009,0%

Esse restaurante tem margem líquida de 9% — saudável dentro da média brasileira. Cada R$ 100 vendido gerou R$ 9 de lucro real para o dono.

Como ler o DRE para tomar decisão prática?

Olhe o CMV em % primeiro

Acima de 35% sobre a receita líquida, o restaurante tem problema de margem. Pode ser preço baixo demais nos pratos, perda alta de insumos (descarte, erro de cozinha), fornecedor caro ou roubo. CMV em tempo real (não no fim do mês) é o que diferencia restaurante que controla margem do que vende no escuro.

Compare comissão iFood com receita total

Se a linha “Comissão iFood/Rappi” passa de 12-15% sobre a receita bruta, é sinal de dependência alta de marketplace. Cada ponto percentual ali é margem indo embora. Migrar parte do volume para canal próprio (cardápio digital com QR Code, chatbot WhatsApp) é a alavanca de margem mais óbvia disponível.

Folha de pagamento sob 25-30%

Acima de 30%, a estrutura de pessoal está pesada. Pode ser excesso de hora extra, equipe maior do que o ticket suporta, ou ineficiência operacional (atendimento lento, retrabalho). Acima de 35%, é zona crítica.

EBITDA é o “lucro real” da operação

Antes de financiamentos e depreciação, EBITDA mostra se a operação em si funciona. Restaurantes com EBITDA negativo precisam mexer no modelo — não adianta empurrar com a barriga. Acima de 15% é excelente.

Quais erros comuns no DRE de restaurante?

  • Confundir pró-labore com lucro: dono que tira dinheiro do caixa sem registrar como folha distorce o DRE. O pró-labore deve estar na linha de despesas, não invisível.
  • Não separar venda do salão da venda do iFood: sem distinguir, fica impossível saber qual canal é mais lucrativo.
  • Esquecer comissão de marketplace: alguns restaurantes lançam só o valor líquido recebido do iFood, perdendo a visibilidade de quanto pagaram em comissão. Comissão precisa estar explícita como dedução.
  • Ignorar CMV: rodar DRE sem ficha técnica dos pratos é estimar custo no chute.
  • Atrasar fechamento: DRE útil é DRE recente. Fechar em 30 dias depois não permite agir a tempo.

Como automatizar o DRE do seu restaurante?

Em 2026, fazer DRE manual em planilha é equivalente a contar pedido em papel. Sistemas modernos como o dappio fecham o DRE em tempo real:

  • Receita bruta vem do PDV + sync iFood/Rappi automaticamente
  • Comissão de marketplace é registrada na hora em que o pedido entra
  • CMV é calculado a partir da ficha técnica de cada prato vendido
  • Despesas fixas são lançadas uma vez e o sistema rateia mês a mês
  • No dia 1 do mês, DRE está fechado e exportável em PDF

O ganho não é só de tempo — é de qualidade da decisão. Quando o DRE é semanal (não mensal), o dono identifica problema antes que vire buraco. Aumentou CMV em 2 pontos? Investiga essa semana, ajusta ficha ou troca fornecedor. Esperar fechamento mensal é descobrir tarde demais.

Como começar a fechar DRE essa semana?

  1. Liste suas linhas de receita (salão, iFood, Rappi, balcão, eventos).
  2. Levante despesas fixas (aluguel, folha, energia, internet, contador).
  3. Calcule o CMV — ficha técnica de cada prato + custo médio dos insumos.
  4. Monte o template (Excel funciona, mas automatizado é melhor).
  5. Feche o primeiro mês e olhe os percentuais sobre a receita.
  6. Identifique a linha mais distante do benchmark e atue ali primeiro.

Perguntas frequentes

O que é DRE de restaurante?
DRE é a Demonstração do Resultado do Exercício — relatório financeiro que mostra, em ordem de cima para baixo: receita bruta, deduções, custo dos produtos vendidos (CMV), despesas operacionais, e lucro líquido. Para restaurante, é o documento que diz se você ganhou ou perdeu dinheiro no mês — diferente do extrato bancário, que mostra apenas o saldo de caixa.
Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?
DRE mede resultado por regime de competência (quando a venda ou despesa acontece, independente de pagamento). Fluxo de caixa mede entrada e saída de dinheiro real. Restaurante saudável precisa dos dois: DRE diz se está dando lucro, fluxo de caixa diz se sobra dinheiro pra pagar fornecedor amanhã.
Quais são as principais linhas de um DRE de restaurante?
(1) Receita bruta — total vendido. (2) Deduções — impostos sobre venda, devoluções, comissões iFood/Rappi. (3) Receita líquida. (4) CMV — custo dos insumos dos pratos vendidos. (5) Lucro bruto. (6) Despesas operacionais — folha, aluguel, energia, gás, embalagem, marketing. (7) EBITDA. (8) Depreciação. (9) Resultado financeiro. (10) Lucro líquido.
Qual a margem de lucro saudável de um restaurante no Brasil?
Em 2026, a média do setor brasileiro fica em torno de 8% a 12% de margem líquida. Restaurantes bem administrados chegam a 15-18%. Abaixo de 5% é zona de risco. Restaurantes com forte presença em delivery via marketplace tendem a ter margem mais comprimida (5-8%) por causa da comissão iFood/Rappi.
Por que tantos restaurantes não fazem DRE?
Três motivos: (1) acreditam que extrato bancário basta — o que esconde se vendem no prejuízo; (2) acham que precisa de contador caro — não precisa, planilha resolve; (3) gastam horas no Excel toda semana e desistem na metade. A solução moderna é automação: sistemas como dappio fecham o DRE em tempo real, sem digitação manual.
Posso fazer DRE de restaurante no Excel?
Sim, e milhares de restaurantes brasileiros começam assim. O problema é que dá trabalho: precisa lançar venda do iFood, venda do salão, custo de cada nota fiscal de fornecedor, folha de pagamento, contas fixas. Em restaurantes pequenos toma 4-8 horas por mês. Em médios chega a 20+ horas. Por isso a automação compensa rápido.
O que é CMV e por que aparece no DRE?
CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é quanto você gastou em insumos nos pratos efetivamente vendidos no período. Aparece no DRE porque é o maior custo variável de qualquer restaurante (tipicamente 30-38% da receita). Controlar CMV é literalmente controlar lucro: cada ponto percentual de CMV mal controlado vira ponto perdido na margem líquida.
Como o dappio fecha o DRE automaticamente?
Receitas vêm direto do PDV (vendas do salão) + sync iFood/Rappi (vendas delivery). CMV é calculado em tempo real a partir da ficha técnica de cada prato vendido. Despesas fixas são lançadas uma vez (aluguel, folha, etc) e o sistema rateia automaticamente. No dia 1 do mês seguinte, o DRE está fechado e disponível em PDF para o contador.

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